segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Pequena Biografia 

Vinicius de Moraes foi muito mais que nosso "Poetinha", apelido carinhosamente atribuído a ele. Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes foi compositor, intérprete, escritor, jornalista, advogado, diplomata. Uma pessoa que viveu a vida ao máximo, passou uma metade dela viajando, a outra amando (teve nove casamentos).

Nascido no dia 19 de outubro de 1913, era um apaixonado pelo mundo.Daí suas escolhas profissionais, em todos os sentidos. Obcecado pelo dom de viver, Vinicius sempre procurou fazer aquilo que lhe proporcionasse prazer.

A carreira diplomática começou em 1943, trabalhou como vice-cônsul, entre outros cargos.

Tais atividades só foram interrompidas em 1968, quando foi punido pelo Ato Institucional n. º 5 com aposentadoria compulsória do Itamaraty, depois de 26 anos de (bons) serviços prestados.

O jornalismo e a crítica de cinema foram outras ocupações profissionais.Trabalhou nos jornais Última Hora, A Manhã, Suplemento Literário, O Jornal e na revista Clima, entre outros lugares. Em 1936, ele foi nomeado representante do MEC na censura cinematográfica, onde, nas sessões, apenas dormia e nada censurava. Uma atuação mais animada e engajada viria em 1947, com a fundação da revista Filme, da qual ele participou e manteve contato com diretores famosos como Orson Welles e Walt Disney.

Viajante que era percorreu a Europa em 1952 com o objetivo de estudar a organização dos festivais de Cannes, Berlim, Locarno e Veneza. Em 1966, foi membro do Júri Internacional de Cannes.

Vinicius era admirado não apenas por sua obra. Antes de poeta, ele foi uma pessoa querida por todos seus companheiros, parceiros e amigos. Um carioca da gema,como podemos definir pelo seu amor à cidade, que pode ser comprovado através dos sonetos e músicas. Nosso poetinha faleceu no Rio de Janeiro em 9 de Julho de 1980, mas seu legado ainda está presente nos corações dos apaixonados. Apaixonados pela vida, acima de tudo.

Vinicius e as Mulheres 



"São demais os perigos desta vida
Pra quem tem paixão principalmente
Quando uma lua chega de repente
E se deixa no céu, como esquecida
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher..."


Em todos os casamentos desfeitos, a mesma cena se repetia.Ele ia embora praticamente com a roupa do corpo, levando consigo, no entanto, a certeza de que seu coração sempre estaria aberto para paixões novas e avassaladoras.

As mulheres - de vedetes a intelectuais - sempre foram fonte de inspiração máxima da obra de Vinicius de Moraes.

Ele vivia alegre e com intensidade assustadora. Como grande artista que foi, Vinicius fez com que toda a emoção e delicadeza de cada um de seus encontros e desencontros fizessem parte de sua magnífica obra.

Em entrevista concedida à Clarice Lispector, Vinicius de Moraes fala sobre o amor e sobre as mulheres:

C.L:- Você acaba um caso porque encontra outra mulher ou porque se cansa da primeira?

V.M. - Na minha vida tem sido como se uma mulher me depositasse nos braços de outra. Isso talvez porque esse amor paixão pela sua própria intensidade não tem condições de sobreviver. Isso acho que está expresso com felicidade no dístico final do meu soneto "Fidelidade": "que não seja imortal posto que é chama / mas que seja infinito enquanto dure". 

E assim Vinícius falava sobre o amor:

Soneto do Amor Total 

Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente


Vinícius e seus parceiros 


Mais do que parceiros Vinicius colecionou amigos e admiradores de sua obra. Companheiros de boêmia, do cotidiano, de rimas e notas musicais, eles formaram a fina nata da Música Popular Brasileira, junto ao 'Poetinha'. Os principais deles foram:

TOM JOBIM 

Em 1955, Vinicius montaria a peça Orfeu da Conceição, com música a cargo de um então jovem pianista: Tom Jobim. Surgia assim uma parceria que se estenderia por toda a vida profissional e pessoal. Uma série de intérpretes gravou composições inesquecíveis da dupla, como Canções do Amor Demais, Luciana, Estrada Branca, Chega de Saudade, Garota de Ipanema, dentre outras. Mais do que ninguém, Tom foi o grande amigo.

CARLOS LYRA 

Os dois se conheceram em 1961, ano em que compuseram juntos Você e Eu e Coisa Mais Linda. Outras composições da dupla são Primeira Namorada, Nada como ter Amor e A Marcha da Quarta-feira de Cinzas.

BADEN POWELL 

A parceria com o violonista começou em 1962, ano em que foram compostas as belas Samba da Bênção, Tem Dó, Samba em Prelúdio, Consolação, Canto de Ossanha e Samba de Oxóssi. Valsa do Amor que não vem, interpretada por Elizeth Cardoso, conseguiu o segundo lugar do I Festival de Música Popular Brasileira, da TV Excelsior de São Paulo, em 1965.

TOQUINHO 

Da intensa parceria iniciada em 1969 surgiu a clássica Tarde em Itapoã.O primeiro disco da dupla foi lançado em 1971, quando os dois passaram a se apresentar em numerosos shows no Brasil e no exterior. Ao todo, foram quase 120 músicas compostas pelos amigos.

Além deles, Vinicius fez parceria com Edu Lobo, Francis Hime, Chico Buarque

“Dizem, na minha família, que eu cantei antes de falar. E havia uma cançãozinha que eu repetia e que tinha um leve tema de sons. Fui criado no mundo da música, minha mãe e minha avó tocavam piano, eu me lembro de como me machucavam aquelas valsas antigas. Meu pai também tocava violão, cresci ouvindo música. Depois a poesia fez o resto." (Vinicius de Moraes)

Vinicius e a poesia 


A obra poética de Vinicius de Moraes é dividida habitualmente em duas fases: uma de sentido místico e lírico, e outra mais sensual e de linguagem mais simples, que ele mostra também nas composições populares. Seu domínio da linguagem culta foi decisivo para conferir qualidade literária à música popular brasileira, enriquecida com suas letras.

Em 1933 lançou seu primeiro livro de poemas. Nessa época já era amigo dos poetas Manuel Bandeira, Mário de Andrade e Oswald de Andrade. A carreira literária de Vinícius de Morais começou com o livro de poemas O caminho para a distância (1933) que, como Forma e Exegese (1935) e Ariana, a mulher (1936), revela as preocupações místicas e transcendentais do autor, de estilo poético ainda indefinido.

O quarto livro, Novos poemas (1938), também se inclui nessa primeira fase. Dois livros - Cinco elegias (1943) e Poemas, sonetos e baladas (1946) - marcam a transição para uma nova fase, mais voltada para a participação política e social, além da sensualidade. São desse período a Antologia poética (1955), o Livro dos sonetos (1957) e Novos poemas II (1959), que traz o poema "Receita de mulher". Na década de 1960 publicou mais três livros: Procura-se uma rosa, Para viver um grande amor (ambos de 1962) e Para uma menina com uma flor (1966), de crônicas. A arca de Noé (1970) é um livro de poesia para crianças.

Sem dúvida alguma Vinicius de Moraes foi um grande representante do lirismo amoroso dos nossos tempos. Ele conseguiu exprimir de forma realista o amor existente entre um homem e uma mulher. Após a primeira fase assumiu inteiramente o papel de poeta do amor e do mundo em que vivemos. Os sonetos de Vinícius surpreendem pela capacidade de atualizar a lírica de Camões. O "Soneto da Fidelidade" figura entre os melhores momentos do autor nessa forma. A preocupação política e social se revelam em poemas como "Operário em Construção".

Dele disse Carlos Drummond de Andrade: "Vinicius é o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão. Quer dizer, da poesia em estado natural". "Eu queria ter sido Vinicius de Moraes". Otto Lara Resende assim o definiu: "Manuel Bandeira viveu e morreu com as raízes enterradas no Recife. João Cabral continua ligado à cana-de-açúcar. Drummond nunca deixou de ser mineiro. Vinicius é um poeta em paz com a sua cidade, o Rio. É o único poeta carioca". Mas ele dizia nada mais ser que "um labirinto em busca de uma saída".

O que torna Vinicius um grande poeta é a percepção do lado obscuro do homem e a coragem de enfrentá-lo. Parte dos temas fundamentais: mistério, paixão e a morte. Quando deixa a poesia em segundo plano para se tornar show-man da MPB, para viver nove casamentos, para atravessar a vida viajando, Vinicius está exercendo, mais que nunca, o poder que Drummond descreve, sem conseguir dissimular sua imensa inveja: "Foi o único de nós que teve a vida de poeta".

A poesia abaixo foi retirada do livro de Sonetos:

Soneto de véspera



Quando chegares e eu te vir chorando
De tanto te esperar, que te direi?
E da angústia de amar-te, te esperando
Reencontrada, como te amarei?

Que beijo teu de lágrimas terei
Para esquecer o que vivi lembrando
E que farei da antiga mágoa quando
Não puder te dizer por que chorei?

Como ocultar a sombra em mim suspensa
Pelo martírio da memória imensa
Que a distância criou fria de vida

Imagem tua que eu compus serena
Atenta ao meu apelo e à minha pena
E que quisera nunca mais perdida.


Fonte: Cifra Antiga
Sítio de Vinicius de Moraes

Ana Peixoto


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Biografia
Vinicius de Moraes foi muito mais que nosso 'Poetinha', apelido carinhosamente atribuído a ele. Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes foi compositor, intérprete, escritor, jornalista, advogado, diplomata. Uma pessoa que viveu a vida ao máximo, passou uma metade dela viajando, a outra amando (teve nove casamentos).

O menino nascido na Gávea, Zona Sul do Rio, no dia 19 de outubro de 1913, era um apaixonado pelo mundo. Daí suas escolhas profissionais, em todos os sentidos. Obcecado pelo dom de viver, Vinicius sempre procurou fazer aquilo que lhe proporcionasse prazer. "Foi o único e nós que teve a vida de poeta", confessou o mestre Carlos Drummond de Andrade.
A carreira diplomática começou em 1943, e teve passagens pelos Estados Unidos, onde trabalhou como vice-cônsul, França, como segundo-secretário da embaixada, e Uruguai. Em 1957, passou a fazer parte da delegação brasileira na Unesco. Tais atividades só foram interrompidas em 1968, quando foi punido pelo Ato Institucional n.º 5 com aposentadoria compulsória do Itamaraty, depois de 26 anos de (bons) serviços prestados.
O jornalismo e a crítica de cinema foram outras ocupações profissionais. Trabalhou nos jornais Última Hora, A Manhã, Suplemento Literário, O Jornal e na revista Clima, entre outros lugares. Em 1936, ele foi nomeado representante do MEC na Censura Cinematográfica. O trabalho, puramente burocrático, resultou apenas na certeza da personalidade de Vinicius: ele dormia durante as sessões e nada censurava. Mais de bem com a vida, impossível! Uma atuação mais animada e engajada viria em 1947, com a fundação da revista Filme, da qual ele participou e manteve contato com diretores famosos como Orson Welles e Walt Disney.
Viajante que era, percorreu a Europa em 1952 com o objetivo de estudar a organização dos festivais de Cannes, Berlim, Locarno e Veneza. Em 1966, foi membro do Júri Internacional de Cannes. Mais uma do cinema na vida do poetinha: a sua peça teatral Orfeu da Conceição, de Marcel Camus, serviu de base ao filme Orfeu do Carnaval, premiado em 1959, com a Palma de Ouro no Festival de Cannes, e em 1960, com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Vinicius era admirado não apenas por sua obra. Antes de poeta, ele foi uma pessoa querida por todos seus companheiros, parceiros e amigos. Um carioca da gema, como podemos definir pelo seu amor à cidade, que pode ser comprovado através dos sonetos e músicas. Nosso poetinha faleceu no Rio de Janeiro em 9 de Julho de 1980, mas seu legado ainda está presente nos corações dos apaixonados. Apaixonados pela vida, acima de tudo.

Prosa e Poesia
Apesar de respeitado profissionalmente na Diplomacia e Jornalismo, Vinicius seria lembrado, décadas mais tarde, por sua atuação em outras áreas: poesia, prosa, música. Na Faculdade de Direito, ficou amigo do romancista Otávio Faria, que descobriu e incentivou sua vocação literária. A estréia nas letras foi aos vinte anos, em 1933, com a publicação do livro O Caminho para a Distância. Porém, um ano antes, um poema de Vinicius foi incluído no jornal católico A Ordem: A transfiguração da Montanha. 

Na época, talvez Vinicius não soubesse ainda que se tornaria um dos mais admirados poetas brasileiros. Cinco anos depois, ele ganharia uma bolsa do Conselho Britânico para estudar Língua e Literatura Inglesa na Universidade de Oxford, na Inglaterra. A primeira de muitas idas ao exterior, profissionalmente ou por puro prazer. De certo que com a entrada na Literatura, algo acontecera com Vinicius, aquele menino que escreveu seu primeiro poema aos sete anos na Escola Primaria Afrânio Peixoto, no Rio. Por sorte dele, por sorte maior nossa.
Forma e Exegese, publicado em 1935, foi a segunda incursão de Vinicius pelas letras, seguida um anos depois por Ariana, a Mulher, livro considerado o apogeu da primeira fase de sua obra. A mística e ânsia pelo absoluto que imperava nas primeiras publicações do poetinha seria substituída por uma abordagem mais lírica e sensual, com passagens experimentalistas, em Novos Poemas (1938) e Cinco Elegias(1943). Tal fase coincide com o processo de amadurecimento do poeta.
Os temas de sentido social e de mundo tornariam-se uma constante na última fase de sua obra; uma poesia integrado ao cotidiano, em parte pelo fato de Vinicius ter morado em diversos bairros do Rio (Botafogo, Gávea, Ilha, Ipanema) durante a infância e juventude. Seus versos refletiriam, mais tarde, tal pensamento de mobilidade e amor pela cidade do Rio, como pode ser percebido em Poemas, Sonetos e Baladas (1946), Antologia Poética (1954), Livro de Sonetos (1957), Novos Poemas II (1959) e Para Viver um Grande Amor (1962).

Música
Vinicius de Moraes, Antônio Carlos Jobim e João Gilberto são nomes fundamentais quando se fala em Bossa Nova. Cada um teve papel importante no movimento de renovação da música popular brasileira. A mistura de samba e jazz teria como emblema canções como Garota de Ipanema. Vale lembrar que uma infinidade de poemas de Vinicius foi musicada durante esses anos e décadas depois, por admiradores da obra do poetinha.

Apesar de só se tornar conhecido pela sua produção musical através da Bossa Nova, a verve de músico de Vinicis sempre esteve presente em sua vida. O ambiente familiar contribui bastante para tal; o pai, Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, era violonista amador, e a mãe, Lídia Cruz de Moraes, era pianista também amadora. Na casa dos pais, durante os fins de semana, sempre havia música, com a presença do compositor Bororó, entre outros. Em 1927, quando cursava o último ano do antigo curso ginasial, no Colégio Santo Inácio, Vinicius tornou-se amigo dos irmãos Paulo e Haroldo Tapajós. Juntos, os jovens formaram um conjunto que tocava em festinhas.
Com Haroldo Tapajós, em 1928, compôs Loura ou Morena, canção que seria gravada quatro anos depois pelos dois irmãos. A partir daí, nosso poetinha
se tornaria o letrista de dez músicas gravadas entre 1932 e 1933: sete em parceria com Haroldo Tapajós, duas com Paulo Tapajós e uma com o violonista J. Medina.
Em 1953, o primeiro samba de sua autoria seria composto: Quando tu passas por mim, em parceria com Antônio Maria. Dois anos depois, Vinicius montaria a peça Orfeu da Conceição, com música a cargo de um então jovem pianista; Tom Jobim. Surgia assim uma parceria que se estenderia por toda a vida profissional e pessoal. A peça, que estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, se tornou um sucesso, lançada em seguida em disco.
Eternizando a parceria com Tom Jobim, uma série de intérpretes passa a gravar as composições da dupla. Elizeth Cardoso lança, em 1958, o disco Canções do Amor Demais, em que estavam incluídas Luciana, Estrada Branca, Canção do Amor Demais e Chega de Saudade. Um ano depois, Lenita Bruno lança Por Toda a Minha Vida. Outro importante parceiro de Vinicius foi Carlos Lyra. Os dois se conheceram em 1961, ano em que compuseram juntos Você e Eu e Coisa Mais Linda, entre outras.
Em 1962, em parceria com Pixinguinha, compôs a trilha sonora do filme Sol sobre a Lama, de Alex Viany. Ainda nesse ano, conheceu Baden Powell, com quem compôs as belas Samba da Bênção, Tem Dó, Samba em Prelúdio, Consolação, Canto de Ossanha e Samba de Oxóssi.
O ano de 1962 foi bastante pródigo para o poetinha. No show Encontro, realizado junto a João Gilberto, Tom Jobim e do grupo Os Cariocas, foram lançados seus maiores sucessos: Garota de Ipanema, Só danço Samba, Insensatez, Ela é Carioca e Samba do Avião, todas as canções parcerias com o maestro Tom Jobim. No ano seguinte, Vinicius somaria mais uma parceria profissional e pessoal: Edu Lobo, com quem compôs Arrastão.
Outras parcerias musicais seguiriam: Francis Hime, Dorival Caymmi, Chico Buarque, Toquinho (na foto acima, com quem compôs Tarde em Itapoã). Mais do que parceiros, amigos de um boêmio, poeta do cotidiano e amante das mulheres. O nosso eterno poetinha.


Procura-se um amigo

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Metamorfose da borboleta

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

(autor: desconhecido)

Um dia, Deus criou todas as coisas. Ele criou as plantas, as aves, os peixes e também a lagarta.

A nossa história fala de uma lagarta. Vamos imaginar que as plantas, as aves, os peixes e a lagarta conversam entre si.

Esta é a lagarta Zazá. Ela mora num lindo pomar. Um dia, ela saiu para passear e conhecer melhor o lugar onde morava. Ela foi se arrastando e logo viu uma flor tão bonita e resolveu subir em suas pétalas.

Zazá : - Quem é você?

Rosa: - Ai! Ai! Você está me machucando! Eu sou a rainha das flores!

Zazá : - Desculpe-me... já vou descer. É que eu queria ver você de perto. Você é tão bonita... tem um perfume tão delicioso...

Rosa: - Eu sou muito feliz ! Deus me fez assim! Eu posso alegrar as pessoas com a minha beleza e o meu perfume delicioso!

Zazá : - Pois eu sou triste! Queria tanto ser uma rosa igual a você. Mas... Deus me fez assim: uma lagarta verde, gosmenta e horrorosa!

A lagarta Zazá continuou o seu passeio e logo viu uma margarida branquinha. E havia uma abelhinha zumbindo em volta dela. Zazá subiu nas pétalas da margarida e começou a conversar com abelhinha que se chamava Zuzu.



Zazá: - Olá abelhinha Zuzu. Você está sempre voando de flor em flor. Eu gostaria tanto de ser como você e voar de um lado para o outro!

Zuzu: - Eu não fico passeando por ai! Eu trabalho bastante! Eu apanho o néctar das flores para fazer um mel bem gostoso. Deus me fez assim e eu sou feliz assim, porque posso ser útil.

Zazá : - Pois eu sou triste! Queria tanto ser uma abelha e voar igual a você. Mas... Deus me fez assim: uma lagarta verde, gosmenta e horrorosa!

Logo, Zazá ouviu o cântico de um passarinho. Era um belo canário de penas amarelas, laranja e azul e ele se chamava Zezé.




Zazá: - Bom dia canarinho Zezé. Que música linda!!! Você tem cores lindas!!!

Zezé: - Deus me fez assim... e sou feliz desse jeito. Vivo a cantar e voar. E você é feliz?

Zazá : - Pois eu sou triste, muito triste! Eu não posso voar e vivo me rastejando. Minha cor é muito feia, é terrível ser uma lagarta verde, gosmenta e horrorosa!

E assim Zazá foi rastejando e chegou perto de uma plantação de morangos bem vermelhinhos e madurinhos.

Zazá: - Que morangos lindos!!! Hummmmm... Devem estar deliciosos!!!

Morangos: - Olá Zazá... você está com uma carinha tão triste... o que houve???

Zazá nem respondeu. Estava tão triste e infeliz que saiu dali. Ela queria ter uma cor vermelha bonita como o morango. Continuou o seu passeio e chegou perto de um lago e viu Zizi, o peixinho, nadando tranqüilamente.



Zazá: - Oi peixinho Zizi! Você é feliz???

Zizi: - É claro que sou feliz! Deus me fez assim. E você? Não é feliz?

Zazá: - Não eu não sou feliz...

Zazá ia continuar a sua reclamação quando avistou um pintinho que gosta de comer lagartas. Zazá arrastou-se rapidamente até o alto de uma planta, que tinha folhas bem verdinhas.

Zazá: - Essa andança me abriu o apetite e parecem tão deliciosas!!!

Folhas: - Pois é... Deus me fez assim... para que servisse de alimento. Sirva-se Zazá!

Assim Zazá encheu sua barriguinha, mas começou a chover uma chuva bem fria e ela estava ficando toda molhada. Zazá ajeitou-se numa folha e teceu um casulo ao seu redor. Tão escuro e quentinho, que Zazá dormiu e dormiu bastante.

Por fim Zazá acordou e percebeu que o dia estava muito lindo. Zazá se esticou todinha e viu o seu reflexo na poça de água e pensou:

Zazá: - O que aconteceu???

Zazá percebeu que agora não era mais aquele bicho rastejante, mas sim uma linda borboleta colorida, com as cores da rosa, da margarida, do canário e até da folha que comeu.

É... algumas pessoas são como a lagarta Zazá que não são felizes e nem reparam para as coisas boas que Deus fez. Deus criou tudo perfeito.

Um dia, a lagarta teve uma transformação começou uma nova vida. Se você se sente como uma lagarta, lembre-se Deus pode te transformar em uma linda borboleta. Não fique mais se rastejando por ai, mas tenha uma nova vida nas alturas, com Jesus Cristo.

DICA: FAÇA A CONTAÇÃO DE HISTÓRIA DA LAGARTA ZAZA COM EMOÇÃO LENDO BEM DEVAGAR PARA QUE CRIE NO ALUNO A EXPECTATIVA DE QUERER SEMPRE MAIS NOVIDADES E NO FINAL MONTE AS BORBOLETINHAS JUNTAMENTE COM OS ALUNOS E PEÇA COMO LIÇÃO DE CASA CONTAR A SUA FAMILIA A SUA HISTORINHA.ESSA É UMA FORMA DE INCENTIVO AO INTERESSE A LEITURA. ELES IRÃO ADORAR. 

Girly Paradise Gifs
A lagarta e a borboleta

Era uma vez…
Uma lagarta envergonhada,
Que pelo chão se rastejava,
E todo mundo debochava:
Que lagarta desengonçada,
Feia e maltratada!

Ninguém, dela, gostava,
As pessoas, ela, assustava.
Pobre Dona Lagarta…
Muito triste ficou,

E sentindo-se desprezada,
Em um casulo se fechou.

E assim…
Passaram-se os dias,

Ninguém, a sua falta, sentia,
Até que em belo cenário,
Enquanto o sol, a vida, aquecia,
E a rosa, o jardim, floria,
Em um galho pendurado,
O casulo se abria.

E uma linda borboleta,
De asas bem coloridas,
O casulo deixou,

Alegrando nossa vida.

E, todos viram o milagre,
Que a natureza preparou,

A feia e envergonhada lagarta,
Na borboleta se transformou.

Já não era desengonçada,
Mas, linda e cheia de graça,

E a todos superou.

Pois, não mais se rastejava,
Pelo contrário, voava,
O céu, enfim, conquistou.

(Vera Ribeiro Guedes)
Amei este trabalhinho vou fazer com minhas